01/04
Vida em nada
Não me disse
Nada
Não me trouxe
Nada
Nunca me fez
Nada
Não me ensinou
Nada
Nunca me deu
Nada
Nem me levou pra
Nada
Não fez questão de
Nada
Nem reclamou de
Nada
Jamais quis mais que
Nada.
"é necessário devorar leão, ser leão; atacar leão; gritar uma supernova a cada minuto, o amor brilha." Ericson Pires
Encruzilhada
domingo, 7 de abril de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
Um poema por dia - 31/03 - Pequena, pequena
31/03
Pequena, pequena
Pequena, pequena
Em breve sairás de cena
Deixarás saudade
Entre nós, amigos de tua idade
Órfãos da tua graça
Que passa
Como brilho de um carisma que é só teu
Valeu
Por todas as manhãs de beijos
Cortejos
Os passeios, os carinhos
Sozinhos
Companheiros, companhias
Sons, batidas, melodias
Uma pena, pequena
Que te vás logo, em breve
Me alegro por apenas
Saber que partes leve
Deixando teus problemas
Partindo de olhos vivos
Muito vivos, serena
Que vá bem, que seja plena
Pequena, minha sempre pequena.
Pequena, pequena
Pequena, pequena
Em breve sairás de cena
Deixarás saudade
Entre nós, amigos de tua idade
Órfãos da tua graça
Que passa
Como brilho de um carisma que é só teu
Valeu
Por todas as manhãs de beijos
Cortejos
Os passeios, os carinhos
Sozinhos
Companheiros, companhias
Sons, batidas, melodias
Uma pena, pequena
Que te vás logo, em breve
Me alegro por apenas
Saber que partes leve
Deixando teus problemas
Partindo de olhos vivos
Muito vivos, serena
Que vá bem, que seja plena
Pequena, minha sempre pequena.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Um poema por dia - 30/03 - O que não foi visto
30/03
O que não foi visto
Me tentam
Se esquentam
Mas não cedo
Por teor
Por amor
Por medo
Que me venham
E não me volte mais
Que me atire
E não olhe pra trás
Resisto
Enquanto insisto
Existo
Pelo que não foi visto.
O que não foi visto
Me tentam
Se esquentam
Mas não cedo
Por teor
Por amor
Por medo
Que me venham
E não me volte mais
Que me atire
E não olhe pra trás
Resisto
Enquanto insisto
Existo
Pelo que não foi visto.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Um poema por dia - 29/03 - Monólogo
29/03
Monólogo
Sozinho
Que é meu o caminho
Solo
Que sou, por onde vou
Atrás do que não sei
Por poucas estradas andei
Mas onde estive, quando passei
Não estava só de passagem, fiquei
Embarco agora logo
Em meu próprio monólogo
Mono logo
Minha única razão
Meu senão
Sozinho, caminho então.
Monólogo
Sozinho
Que é meu o caminho
Solo
Que sou, por onde vou
Atrás do que não sei
Por poucas estradas andei
Mas onde estive, quando passei
Não estava só de passagem, fiquei
Embarco agora logo
Em meu próprio monólogo
Mono logo
Minha única razão
Meu senão
Sozinho, caminho então.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Um poema por dia - 28/03 - As veias abertas
28/03
As veias abertas
No sétimo selo
Excesso de zelo
Tudo que sentiu
Viciado em espelho
Conturbado, vermelho
Belo dia caiu
Batido, vencido
Sentiu-se a vagar
Atrasado, esquecido
Sem valor, sem lugar
Quando a dor escondida
Se apresenta, descortinada
Saberá, por própria vida
Sua sina, revelada
Destinado, acossado
Engole seco, grita passagem
Olha pra trás, teme o passado
Vê adiante, adelante, a viagem
Ninguém jamais voltou
Igual, nada, melhor, pior
Andar por onde jamais andou
Ter pra si, entre as coragens, a maior.
As veias abertas
No sétimo selo
Excesso de zelo
Tudo que sentiu
Viciado em espelho
Conturbado, vermelho
Belo dia caiu
Batido, vencido
Sentiu-se a vagar
Atrasado, esquecido
Sem valor, sem lugar
Quando a dor escondida
Se apresenta, descortinada
Saberá, por própria vida
Sua sina, revelada
Destinado, acossado
Engole seco, grita passagem
Olha pra trás, teme o passado
Vê adiante, adelante, a viagem
Ninguém jamais voltou
Igual, nada, melhor, pior
Andar por onde jamais andou
Ter pra si, entre as coragens, a maior.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Um poema por dia - 10 poemas favoritos (jan/fev/mar)
Pelo projeto 'Um poema por dia', já foram 90 poemas escritos em 2013. Selecionei dez favoritos destes três primeiros meses.
1. 02/01 - Faces
Faces, faces, que fazes, que fazem?
São como fases as faces,
Fases da rua, faces na rua
Nenhuma minha, todas suas.
Faces na tela, na calçada,
de passagem em movimento.
Faces a caminho da minha direção
Ou na direção do meu caminho.
Faces que me encaram
Faces que me olham
Faces, teu, do mundo
Faces, fases, me devoram.
Tenho estado
Meio relaxado
Meio baleado
Assim, meio de lado
Jogado, rolado, deixado
Como que mareado
Ou mesmo relegado
Renegado, encostado
Apavorado e assustado
Sendo anestesiado
Subestimado, aqui deitado
Ainda que solucionado
Cá estou, acorrentado
Quase que resignado
Com o atestado acertado
Comunicado e publicado
E eu, mal-frequentado
Comissionado e condenado
Ando meio desligado.
Tenho estado
Meio parado
Admito, acomodado
Por demais sossegado
E entediado
E endiabrado
Aqui, trancado
Como um exilado
E ainda excitado
Sendo transformado
Logo perturbado
Muito mal-falado
Quase nem citado
Tão pouco lembrado
Tudo que foi dado
Não foi reclamado
Está terminado
E abandonado
Deixa perdoado
Ando meio desligado.
Entrou no elevador e lá estava
O homem alto, calvo, de barba.
Era velho. Olhos mansos, traços finos, familiar
Do tipo que o fez parar, do tipo que o fez pensar
Conhecia o velho de algum lugar.
Talvez do bairro, da região
Não.
Era familiar; até demais.
Estava de pé, como um retrato do tempo
Imaginar isso, quem seria capaz?
Ter diante de si um futuro momento!
Quis saber das verdades que tinha pra si
Dos sonhos que queria cumprir
De tudo que lhe tinha feito sorrir
Saber um pouco mais do mundo
O que foi feito, o que foi desfeito, o que aconteceu.
Olhar pra si de um modo mais profundo
Que fim levara, durante os anos, tudo que conheceu?
Como estarão vivendo a família, os amigos, o amor?
O que estará fazendo, quando velho, naquele dia, no elevador?
Pensou no que falar; pensou em perguntar
Pensou, pensou e pôs-se apenas a pensar
O elevador parou; chegara ao seu andar
Partiria sem pergunta, resposta ou solução.
Viu a porta se fechar, assoviou uma canção.
Tinha o corpo a carregar, lhe pesou o coração.
1. 02/01 - Faces
Faces, faces, que fazes, que fazem?
São como fases as faces,
Fases da rua, faces na rua
Nenhuma minha, todas suas.
Faces na tela, na calçada,
de passagem em movimento.
Faces a caminho da minha direção
Ou na direção do meu caminho.
Faces que me encaram
Faces que me olham
Faces, teu, do mundo
Faces, fases, me devoram.
2. 14/01 - Tenho estado
Tenho estado
Meio relaxado
Meio baleado
Assim, meio de lado
Jogado, rolado, deixado
Como que mareado
Ou mesmo relegado
Renegado, encostado
Apavorado e assustado
Sendo anestesiado
Subestimado, aqui deitado
Ainda que solucionado
Cá estou, acorrentado
Quase que resignado
Com o atestado acertado
Comunicado e publicado
E eu, mal-frequentado
Comissionado e condenado
Ando meio desligado.
Tenho estado
Meio parado
Admito, acomodado
Por demais sossegado
E entediado
E endiabrado
Aqui, trancado
Como um exilado
E ainda excitado
Sendo transformado
Logo perturbado
Muito mal-falado
Quase nem citado
Tão pouco lembrado
Tudo que foi dado
Não foi reclamado
Está terminado
E abandonado
Deixa perdoado
Ando meio desligado.
3. 21/01 - Um dia a menos ou um dia a mais...
And here it is, another day
A day, another, and so I say
I say, I feel, within my pain
And so the pain, the day again
Again it starts, come clouds and rain
This rain that brings my time to pay
And pay I do, with days the same
The same as now and yesterday
A day, once more, about to fade
About the faith, about the fate
My fate is mine and so I lay
I lay and got myself to blame
Blame one more day, another day.
A day, another, and so I say
I say, I feel, within my pain
And so the pain, the day again
Again it starts, come clouds and rain
This rain that brings my time to pay
And pay I do, with days the same
The same as now and yesterday
A day, once more, about to fade
About the faith, about the fate
My fate is mine and so I lay
I lay and got myself to blame
Blame one more day, another day.
4. 23/01 - Encontro, um poema-conto
Entrou no elevador e lá estava
O homem alto, calvo, de barba.
Era velho. Olhos mansos, traços finos, familiar
Do tipo que o fez parar, do tipo que o fez pensar
Conhecia o velho de algum lugar.
Talvez do bairro, da região
Não.
Era familiar; até demais.
Estava de pé, como um retrato do tempo
Imaginar isso, quem seria capaz?
Ter diante de si um futuro momento!
Quis saber das verdades que tinha pra si
Dos sonhos que queria cumprir
De tudo que lhe tinha feito sorrir
Saber um pouco mais do mundo
O que foi feito, o que foi desfeito, o que aconteceu.
Olhar pra si de um modo mais profundo
Que fim levara, durante os anos, tudo que conheceu?
Como estarão vivendo a família, os amigos, o amor?
O que estará fazendo, quando velho, naquele dia, no elevador?
Pensou no que falar; pensou em perguntar
Pensou, pensou e pôs-se apenas a pensar
O elevador parou; chegara ao seu andar
Partiria sem pergunta, resposta ou solução.
Viu a porta se fechar, assoviou uma canção.
Tinha o corpo a carregar, lhe pesou o coração.
5. 16/2 - O mergulho
Posso ouvir o barulho
Posso ouvir o mergulho
Entre a multidão de sons da minha tarde
Posso ouvir o mergulho
Me hipnotiza
Me tranquiliza
Posso ouvir o mergulho
Em contínua melodia
Uma breve sinfonia
Ouço e não deixo de ouvir
Ouço e estou maravilhado
Ouço o mergulho a prosseguir
Ouço e estou quase apaixonado
O som se cala, fala o sentimento
Por uma tarde, por um momento
Quase posso ver, posto a imaginar
É meu o mergulho, sou eu a mergulhar.
6. 24/2 - O poeta e a rainha
Escrevo a vida a dois
E deixo pra depois
Tudo que puder ser
Escrevo pois
Em linhas boto que sois
O que não encontro no saber
Sua inconstância, seu mistério
Seu poder de surpreender
O semblante fechado, sério
A postura de uma dama do poder
Do poder de si, ti
Mulher rainha que se vê na vida
E ainda para pra sorrir
Mulher menina amante mais querida.
7. 04/03 - O beijo
9. 07/03 - Te via
Eu te via
Por aí, no dia a dia
Antes que fosses rainha
Por perto, sem saber o que tinha
Olhar firme, decidido
Corpo erguido, objetivo
Mulher viajante
Força, beleza, triunfante
Paixão
Não à primeira vista
Ao primeiro toque
Ao primeiro beijo
Desejo
Vivendo com a fome de anos perdidos
Perdendo as feridas de anos vividos
Nunca nos falamos.
Entre anos, nos encontramos.
Posso ouvir o barulho
Posso ouvir o mergulho
Entre a multidão de sons da minha tarde
Posso ouvir o mergulho
Me hipnotiza
Me tranquiliza
Posso ouvir o mergulho
Em contínua melodia
Uma breve sinfonia
Ouço e não deixo de ouvir
Ouço e estou maravilhado
Ouço o mergulho a prosseguir
Ouço e estou quase apaixonado
O som se cala, fala o sentimento
Por uma tarde, por um momento
Quase posso ver, posto a imaginar
É meu o mergulho, sou eu a mergulhar.
6. 24/2 - O poeta e a rainha
Escrevo a vida a dois
E deixo pra depois
Tudo que puder ser
Escrevo pois
Em linhas boto que sois
O que não encontro no saber
Sua inconstância, seu mistério
Seu poder de surpreender
O semblante fechado, sério
A postura de uma dama do poder
Do poder de si, ti
Mulher rainha que se vê na vida
E ainda para pra sorrir
Mulher menina amante mais querida.
7. 04/03 - O beijo
Há pouco tinham se visto
Uma única vez, numa noite de verão
Ele com outra, ela também
Jantares, olhares, por entre o salão
Logo mais, mais hora depois
Nos fundos, as mãos ele lavava
Ergueu os olhos, se viu a dois
Olhou pra ela, ela ali estava
Chegaram perto, se aproximaram
Olhar com olhar, não se falaram
Coração entregue, acelerado
E o tempo, por um instante, parado
Ele caminha, ela se chega
Num passo, num véu de delicadeza
Olhos fechados, distância nenhuma
Lábios nos lábios e a boca, uma
Um beijo, a fantasia, naquele curto segundo
Um beijo, isolados, sozinhos no mundo
Respiro ofegante, força diletante
Um beijo desfeito, perfeito, relance de amante
Olhos abertos, de volta pra Terra
Corpos de soltam, retorna a razão
O mais breve caso de amor se encerra
Um beijo deixado numa noite de verão.
8. 06/03 - Lágrimas de anjo
Anjo,
Esta noite me ponho a te escrever
Me atrevo
Confesso não sei mais o que dizer
Escrevo
Conto mais uma vez o sofrimento dela
Olhos inchados, voz embargada
O amor de seu primeiro filho gela
Sente-se vazia invisível, derrotada
Ouço seu lamento quieto, silencioso
Sofre sem carinho, sem sorriso, sem cuidado
Sente a mágoa viva em teu discurso oficioso
Ferida por palavras e olhares de teu lado
Pudera eu rever-te ontem e entender
Pudera eu lhe dar meu corpo para esquecer
Poder, não posso
Me esforço
Também carrego dores em minha alçada
Esta noite choro horrores na estrada
Rasgo a voz até me doer a garganta
Pra ver se me acalma, me esfria
Evocando força, imploro, me arranca
A lágrima que é dela, faz minha
Haverá culpado? E que importa?
Uma vez caçada, a fera morta?
Por isso lhe peço que perdoe enquanto tempo
Pense uma vez mais no assunto, a seu momento
Peço que não a faça sofrer
Que tente de novo
Penso que não é muito a dizer
Tente de novo
Que possa recomeçar de pouco em pouco
Trazendo um sorriso, um beijo, um abraço
Que a tire da amargura, tristeza, do sufoco
Respondendo seu apelo, retomando o frágil laço.
Eu te via
Por aí, no dia a dia
Antes que fosses rainha
Por perto, sem saber o que tinha
Olhar firme, decidido
Corpo erguido, objetivo
Mulher viajante
Força, beleza, triunfante
Paixão
Não à primeira vista
Ao primeiro toque
Ao primeiro beijo
Desejo
Vivendo com a fome de anos perdidos
Perdendo as feridas de anos vividos
Nunca nos falamos.
Entre anos, nos encontramos.
10. 26/03 - Da janela do mundo
Vem,
Se acende e se liga pra mim
Convence que é melhor assim
Sabendo sem sair do sofá
Parado no mesmo lugar
Vem,
Me conhece e me olha de perto
Me doutrina, me diz o que é certo
Ideologia é informação
DI-VER-SÃO
Divergir, divertir
Me conquista, me deixa entretido
Me derruba, me torna vencido
Conformismo e dominação
Condição
Vem,
Me faz rir, me descansa a cabeça
Vai, me vende mais uma cerveja
Me diz o que ouvir
O que sentir
Me fala o que pensar
Em quem votar
Me ensina como ver
Como viver
Vem,
Me enterra que eu fico feliz
Me fala 'foi você quem me quis'
Me dá mais um reality show
Fala comigo e me diz o que eu sou.
Vem,
Se acende e se liga pra mim
Convence que é melhor assim
Sabendo sem sair do sofá
Parado no mesmo lugar
Vem,
Me conhece e me olha de perto
Me doutrina, me diz o que é certo
Ideologia é informação
DI-VER-SÃO
Divergir, divertir
Me conquista, me deixa entretido
Me derruba, me torna vencido
Conformismo e dominação
Condição
Vem,
Me faz rir, me descansa a cabeça
Vai, me vende mais uma cerveja
Me diz o que ouvir
O que sentir
Me fala o que pensar
Em quem votar
Me ensina como ver
Como viver
Vem,
Me enterra que eu fico feliz
Me fala 'foi você quem me quis'
Me dá mais um reality show
Fala comigo e me diz o que eu sou.
Um poema por dia - 27/03 - À sombra do silêncio
27/03
À sombra do silêncio
O silêncio que precede o medo
O lamento que antecede o choro
O respiro que antecede o grito
O silêncio que precede o estouro
É raro
Um leve momento solto no ar
Pro esquecimento se põe a voar
Mais um
Um mais
Silêncio
Ao próprio tempo
Ciumento seja das palavras
Hoje tão raras
Tão sem sentimento
Sempre à sombra do silêncio.
À sombra do silêncio
O silêncio que precede o medo
O lamento que antecede o choro
O respiro que antecede o grito
O silêncio que precede o estouro
É raro
Um leve momento solto no ar
Pro esquecimento se põe a voar
Mais um
Um mais
Silêncio
Ao próprio tempo
Ciumento seja das palavras
Hoje tão raras
Tão sem sentimento
Sempre à sombra do silêncio.
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