19/08
Jazz night
Notas nas pontas dos dedos
Pesos são penas no ar
A voz abafada
Suave leve linda longe
A cantar
A soar, ecoar
A chamar
A noite pra perto
O som pra ficar
Estar
Aberto, sempre aberto
Discreto, incerto
Fluindo, crescendo
Baixando, subindo
Segura o segredo
Vai a algum lugar
As notas nos dedos
As notas no ar.
"é necessário devorar leão, ser leão; atacar leão; gritar uma supernova a cada minuto, o amor brilha." Ericson Pires
Encruzilhada
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Um poema por dia - 18/08 - Quantos todos tantos
18/08
Quantos todos tantos
Quantos cantos já cantados
e destinos mal-fadados
e suspiros exalados
e caminhos lamentados
Quantas faces conhecidas
e sementes escondidas
e amadas esquecidas
e batalhas já perdidas
Quantas mágoas dissipadas
e paixões não-dissolvidas
e palavras não-faladas
e questões mal-resolvidas
Tantas quantas são passado
Quantas todas são passagem
Muitas quantas foram fardo
Quantas sempre são viagem.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Um poema por dia - 17/08 - Inverno
17/08
Inverno
Faça a neve
Quem se atreve
Vampiro da noite
Demônio do dia
A oração
Desconfia pra onde vai o coração
Faz uma curva
Sobe a montanha
E se foi longe
Frio
Deixando pra trás
Um grande vazio
Marcado, cortado
Sangrado por dentro
Golpe, ferimento
Saudade, seu momento
O cão do gelo prepara
Fita, encara
Avança, se lança
O inferno branco alcança.
Inverno
Faça a neve
Quem se atreve
Vampiro da noite
Demônio do dia
A oração
Desconfia pra onde vai o coração
Faz uma curva
Sobe a montanha
E se foi longe
Frio
Deixando pra trás
Um grande vazio
Marcado, cortado
Sangrado por dentro
Golpe, ferimento
Saudade, seu momento
O cão do gelo prepara
Fita, encara
Avança, se lança
O inferno branco alcança.
domingo, 18 de agosto de 2013
Um poema por dia - 16/08 - Cantiga
16/08
Cantiga
Marinheiro, marinheiro
Quem te ensinou a nadar?
Caroneiro, caroneiro
Quem te ensinou a caronar?
Viajeiro, viajeiro
Quem te ensinou a viajar?
Caminheiro, caminheiro
Quem te ensinou a caminhar?
Voadeiro, voadeiro
Quem te ensinou a voar?
Sonhadeiro, sonhadeiro
Quem te ensinou a sonhar?
Cantiga
Marinheiro, marinheiro
Quem te ensinou a nadar?
Caroneiro, caroneiro
Quem te ensinou a caronar?
Viajeiro, viajeiro
Quem te ensinou a viajar?
Caminheiro, caminheiro
Quem te ensinou a caminhar?
Voadeiro, voadeiro
Quem te ensinou a voar?
Sonhadeiro, sonhadeiro
Quem te ensinou a sonhar?
sábado, 17 de agosto de 2013
Um poema por dia - 15/08 - Canto da natureza
15/08
Canto da natureza
Sou cão
Jogado na grama
Pelo esfregado no chão;
Sou ave
Braços abertos pra voar
No frio do vento
Além do firmamento;
Sou água
Fluida, clara
Pura, rara
Simples incrível água;
Sou terra e fogo
Piso forte e perigoso
Sou ar
Fina sorte de estar;
Sou sol
Quente e alto
Sou farol
Lanterna do meu próprio tempo;
Sou criança, sou filho
Aprendendo, descobrindo
Sou mulher, sou homem
Sou gente
Sou só eu e eu, só, sou
Deus, meu deus
Quem diz, quem é
Meu deus quem é sou eu.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Um poema por dia - 14/08 - O círculo é sempre fechado
14/08
O círculo é sempre fechado
Quebre o corpo
Esmague o osso
Carne que era homem
Homem que era filho
Filho agora é nada
No ciclo de sangue
A natureza se contém
Se basta
Se detém
Predador, luta, guerra
A força bruta grita, berra
O animal compete
Se mata, se mede
Se restringe à essência da mãe
Aqui se faz
Aqui se paga
Daqui não passa
Aqui se basta.
O círculo é sempre fechado
Quebre o corpo
Esmague o osso
Carne que era homem
Homem que era filho
Filho agora é nada
No ciclo de sangue
A natureza se contém
Se basta
Se detém
Predador, luta, guerra
A força bruta grita, berra
O animal compete
Se mata, se mede
Se restringe à essência da mãe
Aqui se faz
Aqui se paga
Daqui não passa
Aqui se basta.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Um poema por dia - 13/08 - A ressurreição do mar de ferro
13/08
a ressurreição do mar de ferro
enterrado no profundo
fundo farto mar de ferro
jaz o coração de quem amou
e temeu, e sofreu
e sonhou
e morreu;
uma alma perdida se encontra por lá
à procura de vida
da beleza de estar
ser
sentir, viver;
há um corpo adormecido
no fundo do mar, um corpo doído
vencido, batido
arrependido
um corpo falido
sozinho no mar de ferro
e coração e alma e corpo
se encontram, se completam
se conhecem, se conectam
juntos, num só ser
com tudo a conquistar, a ver
o filho parte, caminhando por aí
o filho arte
viajante, caroneiro
destemido, aventureiro
corajoso, faz seu mundo
num silêncio, num segundo
tudo é, tudo jaz, tudo há
tudo em pé, tudo faz, tudo já.
a ressurreição do mar de ferro
enterrado no profundo
fundo farto mar de ferro
jaz o coração de quem amou
e temeu, e sofreu
e sonhou
e morreu;
uma alma perdida se encontra por lá
à procura de vida
da beleza de estar
ser
sentir, viver;
há um corpo adormecido
no fundo do mar, um corpo doído
vencido, batido
arrependido
um corpo falido
sozinho no mar de ferro
e coração e alma e corpo
se encontram, se completam
se conhecem, se conectam
juntos, num só ser
com tudo a conquistar, a ver
o filho parte, caminhando por aí
o filho arte
viajante, caroneiro
destemido, aventureiro
corajoso, faz seu mundo
num silêncio, num segundo
tudo é, tudo jaz, tudo há
tudo em pé, tudo faz, tudo já.
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