04/03
O beijo
Há pouco tinham se visto
Uma única vez, numa noite de verão
Ele com outra, ela também
Jantares, olhares, por entre o salão
Logo mais, mais hora depois
Nos fundos, as mãos ele lavava
Ergueu os olhos, se viu a dois
Olhou pra ela, ela ali estava
Chegaram perto, se aproximaram
Olhar com olhar, não se falaram
Coração entregue, acelerado
E o tempo, por um instante, parado
Ele caminha, ela se chega
Num passo, num véu de delicadeza
Olhos fechados, distância nenhuma
Lábios nos lábios e a boca, uma
Um beijo, a fantasia, naquele curto segundo
Um beijo, isolados, sozinhos no mundo
Respiro ofegante, força diletante
Um beijo desfeito, perfeito, relance de amante
Olhos abertos, de volta pra Terra
Corpos de soltam, retorna a razão
O mais breve caso de amor se encerra
Um beijo deixado numa noite de verão.
"é necessário devorar leão, ser leão; atacar leão; gritar uma supernova a cada minuto, o amor brilha." Ericson Pires
Encruzilhada
quinta-feira, 7 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Um poema por dia - 03/03 - Jangada, jangadeiro
03/03
Jangada, jangadeiro
Jangadeiro, jangadeiro
Jangadeiro só;
Jangadeiro, jangadeiro
Debaixo do sol;
Jangadeiro, jangadeiro
Desfaz vela em nó;
Jangadeiro, jangadeiro
Segue no farol.
Jangada, jangadeiro
Jangadeiro, jangadeiro
Jangadeiro só;
Jangadeiro, jangadeiro
Debaixo do sol;
Jangadeiro, jangadeiro
Desfaz vela em nó;
Jangadeiro, jangadeiro
Segue no farol.
terça-feira, 5 de março de 2013
Um poema por dia - 02/03 - Nada aos pedaços
02/03
Nada aos pedaços
Chuva vem me acolher em seus braços
Envolve e me reúne aos pedaços
No encontro de rio com mar
É com um sopro pelo ar
Que me chega o vento
Trazendo notícias do tempo
Grãos brancos de esquecimento
Vem pra enterrar tudo que fizemos
Arauto de lembrar de onde viemos
E o que somos
Alguns poucos tomos
Lidos em um segundo resoluto
Nota de pé na história disso tudo.
Nada aos pedaços
Chuva vem me acolher em seus braços
Envolve e me reúne aos pedaços
No encontro de rio com mar
É com um sopro pelo ar
Que me chega o vento
Trazendo notícias do tempo
Grãos brancos de esquecimento
Vem pra enterrar tudo que fizemos
Arauto de lembrar de onde viemos
E o que somos
Alguns poucos tomos
Lidos em um segundo resoluto
Nota de pé na história disso tudo.
Filmes e Memorabilia 2013 - O amante da rainha
53. O amante da rainha – 20/02 – cinema
Se fosse feito nos Estados Unidos, ‘O amante da rainha’ seria
um dramalhão de época. Passado na Dinamarca e falado em inglês. Como o filme
que enfoca a união de uma inglesa com o rei dinamarquês na derrocada dos
regimes absolutistas europeus é uma co-produção Dinamarca/Sueca/Rep.Tcheca,
temos uma superprodução refinada, porém, mais interessante do que a grande
maioria dos filmes ‘históricos’ feitos por Hollywood. E falado na língua local.
;)
Se fosse americano, o filme provavelmente traria um romance
açucarado em primeiro plano e a instabilidade política como pano de fundo.
Aqui, o romance não é açucarado, é ‘pé no chão’. Vemos os acontecimentos se
desenvolverem sob o ponto de vista de Carolina (Alicia Vikander), a ‘mocinha’,
progressista, leitura dos iluministas e ansiosa por mudanças; o ‘mocinho’ Friedrich
Struensee (Madds Mikkelsen, sempre bom encontrá-lo) tem seus ideais, mas é
pragmático. O que quero dizer é: em ‘O amante da rainha’, menos é mais. Tons
menos exagerados contribuem para a construção de uma experiência mais honesta,
humana e real.
Se estivéssemos falando de uma produção hollywoodiana,
certamente questionaríamos um provável tom caricato dado ao rei Christian. Como
não é o caso, resta-nos louvar a interpretação de Mikkel Boe Følsgaard e sua
aposta em um tipo que poderia facilmente ser abordado de forma unidimensional,
mas que se revela complexo, com uma infantilidade e um certo tom de melancolia
que faz com que lamentemos por sua situação. Merece aplausos pela performance.
Não à toa, o ator recebeu o Urso de Prata no Festival de
Berlim do ano passado, onde o filme ainda saiu premiado com o Urso de Prata de
Roteiro para Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg.
MEMO: REVELAÇÕES DO ENREDO! –
Friedrich realizando que não foi perdoado e que está, na verdade, a caminho da
forca.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Um poema por dia - 01/03 - Na rede
01/03
na rede
Chega com jeito mansinho, me leva
Me pega no leve balanço à beira-mar
Me entrega ao mundo por trás da minha janela
Carregado no sono, me bota noutro lugar
Com cheiro de sal, som de ressaca
Me transfaz em índio ao relento
Debaixo do céu nublado, em meio à mata
Sou conquistador de estrelas enquanto amigo do vento.
na rede
Chega com jeito mansinho, me leva
Me pega no leve balanço à beira-mar
Me entrega ao mundo por trás da minha janela
Carregado no sono, me bota noutro lugar
Com cheiro de sal, som de ressaca
Me transfaz em índio ao relento
Debaixo do céu nublado, em meio à mata
Sou conquistador de estrelas enquanto amigo do vento.
Comentário - Translunar Paradise - Só até 9/03!
Translunar Paradise
Tempo de Duração: 70 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Direção: George Mann
Dramaturgia: George Mann
Elenco: Kim Heron, George Mann, Deborah Pugh
Até 9 mar 2013
dom, qua, qui e sex 19:00 (sáb 18h e 20h30)
dom, qua, qui e sex 19:00 (sáb 18h e 20h30)
Fica em
cartaz apenas até dia 9 de março, no CCBB o espetáculo Translunar Paradise. Montagem
do grupo londrino Theatre Ad Infinitum, a peça rodou festivais europeus e chega
ao Brasil comovendo sem palavras.
Em cena, a
história de um homem lidando com a perda de sua companheira de toda vida. Para a
encenação, George Mann (também autor e diretor do espetáculo) e Deborah Pugh misturam
mímica com ballet e teatro mudo, com um que ainda de teatro de máscaras por
conta da representação escolhida para os personagens enquanto idosos. Tudo ao
som da bela música quase minimalista de Kim Heron, toda vestida de preto,
usando apenas o acordeão e voz para suas interferências musicais e cênicas.
Abdicando de
palavras na busca por retratar o que não pode ser dito, ‘Translunar Paradise’ conta
uma história de amor comum, que pode evocar sentimentos de familiaridade em
diversas plateias ocidentais. George e Deborah quase literalmente se
transformam em cena, dando uma aula de expressão corporal e exibindo um domínio
técnico estupendo de interpretação, gesto, movimento e presença de cena.
A crítica
Barbara Heliodora escreveu que a linguagem escolhida pelo grupo não dá conta de
encenar a história contada. “A mímica tem limites e não serve realmente para
informar se estamos vendo lembranças da mocidade ou as tais figuras de um
paraíso de fantasias de que fala o programa”. Eu simplesmente me pergunto: e
realmente importa saber o que estamos vendo? Se fantasias de um homem que sofre
a falta da amada que se foi ou se um paraíso de lembranças de outros tempos?
Não poderias ser a mesma coisa as fantasias e as lembranças? Afinal, onde ficam
guardadas as memórias senão no próprio corpo, aí incluídos mente, coração e
alma?
Se você me
perguntar eu digo corra para o teatro. Este é um espetáculo delicado, sensível,
emocionante. E lindo.
Bem-vindo ao Clube
Dois meses do ano e o projeto 'Um poema por dia' segue totalmente de pé. Até aqui, já são 63 poemas, escritos diariamente, 59 deles já publicados no blog. É possível acessar todos através das postagens mais antigas ou, pra simplificar, através das páginas que reúnem todos os poemas de cada mês.
Poemas de janeiro
Poemas de fevereiro
Especialmente graças a um joelho operado, em dois meses de 2013 já se foram 58 filmes, entre repetecos e inéditos de cinema, dvd, TV ou internet. Destes, 53 já estão publicados aqui na sessão Filmes e Memorabilia 2013.
Além dos filmes, já se foram três peças, dois livros e duas exposições em 2013. Links dos comentários abaixo. Em breve, os comentários das peças e da exposição Movie-se, sobre animação, no CCBB.
Exposição 'Willian Kentridge: fortuna' no IMS
Livro 'Neuromancer', de William Gibson
Peça 'Calabar - O elogio da traição', de Chico Buarque e Ruy Guerra
Há ainda os comentários sobre os discos Babylon By Gus, de Black Alien e Channel Orange, de Frank Ocean.
E em pouco mais de um mês de existência, 'Bem-vindo ao Clube' já contabiliza mais de 2600 acessos.
Obrigado a todos os amigos leitores que só estimulam ainda mais a continuidade destes escritos.
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Livro 'Neuromancer', de William Gibson
Peça 'Calabar - O elogio da traição', de Chico Buarque e Ruy Guerra
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