Encruzilhada

Encruzilhada

domingo, 8 de dezembro de 2013

Um poema por dia - 06/12 - Canto de dias e noites brancas

06/12

Canto de dias e noites brancas

a caminho de casa
estou acordado
surpreso com os pelos no meu rosto
estendo minha asa
e voo com gosto
sobre a cidade sorridente
contente
vejo com o vento nos olhos
a cor do meu povo
e o calor do novo
me derrete do ar
e me joga direto neste mar
branco, de volta no dia santo
à noite adorar.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Um poema por dia - 05/12 - Remember the rain

05/12

Remember the rain

When your body notices the chain
And all seems to be done in vain
At the end of the day
When things feel the same
Remember the rain

For life itself also cries
While the hurting chest replies
Drowned out in its pain
With hearts in flame
Remember the rain

No one more to blame
Sitting on the last train
You shall break off the game
And hold on to your dame
Remember the rain



Um poema por dia - 04/12 - Canto do fim do mundo

04/12

Canto do fim do mundo

Silêncio com mar de fundo
Trilha sonora e história do mundo
As águas se voltam contra tudo
E a natureza reina sobre o fruto

A sorte final para o justo
É comum e igual à do injusto
O mesmo quadro do futuro
Desenhado em todos os lados do muro

Então pra que se importar?
Para ver o quão longe se pode chegar
E ainda ouvir o barulho do mar
Em paz, no litoral deste nosso caminhar.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Um poema por dia - 03/12 - Os abraços

03/12

Os abraços

O abraço é a materialização humana da esperança
Abraço de mãe, de pai
De filho, de irmão
Abraço de amigo ou até de estranho
Abraço de amor
Abraço é sempre amor, algum tipo de amor
De família
De outro ser humano
O abraço é o encontro apertado
De dois polos dos mais poderosos
Dois núcleos de força inestimável
Coração humano
Sem a distância reservada do aperto de mão
Sem o gosto do beijo
O abraço faz sentir o seu sabor no peito
E depois no resto deste corpo
Uma troca de calor
Um contato puro na verdade de um momento
Abraço nunca carece de sentimento
E estende os braços
Rende armas, baixa escudos
Abre o centro e o fundo
Do ser
Um encaixe perfeito
Uma tranca generosa
Dois numa trança
Um apoio para a cabeça
Um monumento à esperança.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Um poema por dia - 02/12 - Nossa cor de sangue

02/12

Nossa cor de sangue

O sangue é mais negro que vermelho
Vinho, vestido de linho
Na deusa que me rouba o ar
Com o fogo de seu ventre
Despida, desnuda, diz-me 'entre'
E queimamos juntos
Até derretermos
Nossas peles sobre o lençol
O sangue negro escorrendo para o chão
O porão do corpo
Abandonado, morto
Ao seu próprio prazer.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Um poema por dia - 01/12

01/12

e você acorda sem lembrar do que sonhou
e levanta mesmo assim
para o mundo, e adiante
homem de sorte que é
não se importa em dançar sozinho
a caminho do dia de hoje
pois ninguém mais pode ouvir essa música;
mas enquanto houver som
e enquanto houver vida
haverá música
haverá sorte
haverá sonho
ainda que no vazio de lembrar
não quero aprender a viver sem sonhar.

Um poema por dia - 30/11 - O corpo que cai

30/11

O corpo que cai

Almas caem 
Desabam na terra
No chão
Qual migalhas de pão
Corpos cansados
Lançados ao certo
Desconhecido
Sob a lei da gravidade de viver
E no último respiro
Ser
A assustadora fantasia de voar.


Foto de Richard Drew